quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O fator cultural reflete nas Olimpíadas

Imaginem um morador de rua que, após receber doações durante meses, consegue acumular uma quantia considerável em dinheiro. Ele quase nada tem, além de algumas roupas, um cobertor, pedaços de papelão, ou seja, utensílios básicos e escassos para sua sobrevivência diária nos cantos de uma metrópole.
Porém, devido às doações que recebeu, ele pode, agora, dar um novo rumo a sua vida e, assim, tornar-se uma nova pessoa e usar o dinheiro para comprar uma casa, talvez, ou abrir um pequeno negócio, isto é, investir o que tem de modo que possa sobreviver dignamente e até mesmo multiplicar seu dinheiro. Mas, infelizmente, não é isso que acontece, pois o pobre sem-teto, vislumbrado com a possibilidade do status que obterá, compra um maravilhoso carro e gasta quase tudo o que possui, e o pior é que nem tem lugar para guardar o automóvel.

Agora, numa cidade como Rio de Janeiro, ele logo será roubado e lamentará pelo erro que cometeu, da mesma forma que os brasileiros reconhecerão o equívoco de comemorar a realização das Olimpíadas de 2016, no Rio.

Pobres brasileiros que, como o morador de rua, sobrevivem com pouco dinheiro, pouco conhecimento, quase nada de segurança e uma saúde lamentável. Entretanto, de repente, tudo parece se resolver: esses miseráveis cidadãos vão às ruas comemorar a vitória do Rio como sede das Olimpíadas, como se isto fosse resolver seus problemas.
De fato, a realização dos jogos é mais uma propaganda ideológica sobre um povo supostamente feliz, que apesar dos problemas que tem, vive sorrindo e sem preocupações. É mais um mito brasileiro propagado no exterior e que muitos de nós acreditamos.
Os mais lúcidos sabem que o Brasil é um país subdesenvolvido, que sobrevive com a precariedade da educação e da segurança. E o que faz com o dinheiro que recebe dos impostos? “Investe” em algo que pode trazer mais decepções do que satisfação.

Dessa forma, enquanto o país se encontra na enorme desigualdade de distribuição de renda, sua cultura e suas realizações resumem-se nas Olimpíadas de 2016.
Talvez seja melhor acreditar que o Brasil não tenha nada mais que festas, carnavais, futebol e samba. Afinal, qual a razão para investir em escolas, universidades, em pesquisas, no sistema de saúde se somos felizes por nos contentarmos com pouco?
Qualquer coincidência dessa situação com a política do “pão e circo” é mera semelhança.
Assim, o que se nota é que o Brasil é um morador da rua do mundo, que se preocupa em usar seus recursos com prazeres imediatos, visando o status que conquistará perante os outros países.

Um comentário:

Ana Carolina, disse...

Finalmente alguém que concorda comigo que as Olimpíadas serão uma palhaçada.
Duas coisas, aliás, duas vergonhas: 1- os estádios e tudo o q precisa ser feito na infra-estrutura COM CERTEZA não ficará pronto, ou ficará mal-acabado, no prazo. 2- só vamos passar vergonha com os assaltos e outros tipos de violência no Rio.

É, pra quê investir em educação, saúde... Não interessa, dá um pouco de lazer pro povo ficar em casa assistindo na televisão quem é rico o suficiente pra entrar nos estádios. É, isso é o lazer na concepção do nosso presidente analfabeto. Saúde e educação não precisa, o que o Brasil precisa mostrar é que tem CACIFE pra ganhar dos EUA (o que eu até agora não entendi) a sede das olimpíadas.
Pão e Circo? IMAGINA. O Pan foi pão e circo e tudo o que vier depois disso. O Lula aprendeu a divertir os macaquinhos. Os fantochezinhos que a mídia forma...

Enfim, pra mudar o Brasil, só se cair um meteoro, mesmo. Melhor desistir.
No dia que teve a escolha da sede, todo mundo no twitter falou disso, ficou um dos assuntos mais comentados. O que eu comentei? Rio 2016? Ridículo. Sem mais.
O que os idiotas comentaram? "Ahh, o Brasil é foda, o Rio é lindo, que alegria."
Isso.
Vamos então trabalhar uns dois terços do ano pra pagar imposto pro Lula gastar construindo pista de atletismo, e é isso aí! xD